terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Velhice.

Quando em mim, o tempo findar,
E escorrer das frestas, a desesperança,
Toda esta minha idade, seja a herança
De que nada mais, eu possa lembrar.

E se estas rugas brumosas levar,
A beira da morte, por vingança,
Trair-me, a cópia da aliança,
E pelo meu terno suspiro, cobrar,

Darei os gestos da tão fartada
Meninice, e direi qualquer coisa,
Que seja a mim, tão abreviada;

Como há esse instante, à parte,
Onde uma pedra se afastaria cansada,
Para que eu a mova outra estrada!...

Um comentário:

  1. De Kaíza Sousa p/ Jairo Alves

    Posso afirmar com convicção que esse poema emblemático rendera diferenciadas interpretações entre seus leitores caro poeta.
    De minha parte, acredito que se trata da representação do ciclo de vida (nascimento, maturidade, "velhice" e inevitável morte).
    A qualidade deste poema consiste justamente na abrangência trazida pela temática. A "velhice" é uma etapa da vida pela qual todos seres viventes almejam. A idade avançada não deve ser motivo de vergonha, mas de vitória e orgulho, pois nem todos conseguem alcançá-la com alegria de viver, sabendo assim, aproveitar a vasta sabedoria que os anos vividos lhe investiu.
    E finalmente, é preciso saber viver e aproveitar cada idade da nossa vida que é única e passageira (infelizmente).
    Agradeço ao amigo por mais esta obra sincera de sua inegável lavra poética.

    Um abraço para você.

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