sábado, 5 de março de 2011

Já são as horas, dias e anos
A separar-me de tudo e todos
A arrancar-me os soluços em denúncia.

É como se a vida aflorasse em mim
Num misto de açúcar e sal,
Calma e lentamente por entre a língua.
Silenciosa como a ausência escalando a minha alma.

Sinto apenas a solidão, mal de quem fica.
Testemunho de sal, companheira de quem vai.

A noite é um convite do nada.
O verso e a traição é a saudade de ti
De ti e de mim, poeta quieto, distante e mudo.

O dia parado te espera na esquina
Mas você não vem, você não vem!
Tudo é imaginação, vontade...

Só você não vem...

Corre, interrompe esse tempo,
Já que a mim restou-me somente a miragem
No meu nublado deserto de horas.

Como dói, como estou distante!


Teófilo Júnior
1990

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