segunda-feira, 13 de junho de 2011

O hóspede e a flor

( A Abigail, filha da serva Dorisleide e do servo Edinaldo).

Feito o broto que sai da rocha
e em pétalas de coral se desfia,
uma eminente flor desabrocha
ao túmido orvalho da fonte fria.

Estando em meio ao vasto campo,
onde a relva traga as borboletas,
um arcanjo, vestido do manto
celestial, e as tuas bordas violetas,

Pôs-se na, corpo e alma; a flor
quisera ser querubim, a teus pais!
e a tua graça e o teu amor,
preencheram as lacunas da paz!

Da pura inocência, e da luz divina,
fêz-se banquete ao adorar o culto,
junto ao pai, como anjo menina,
Mas veio um hóspede, e por insulto,

beijou-a nas tranças de brilhante,
e vendo o pai que havia criado,
rogou ao hóspede errante,
tu avanças a filha, ó gesto ignorado!

O homem triste chamou-o a um canto;
fostes tu que gerastes a esta criança?
não o sabes, o quão e tanto,
a Deus, custa a vossa esperança?...

És do vale, aurora embevecida.
Do ouro, a chama que fluiu;
Da vida, maior presente, - tua querida
e amada filha, o anjo Abigail!

Mas partas tu, ó hóspede andarilho,
para o término da tua jornada,
e sigas, do infante junquilho,
a flor, que não pode mais ser beijada!...


Pombal - PB, 05 de junho de 2011.

Jairo Alves

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