segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

A garça

O sol começa nascer,
e o vício do aroma se esvai
a beira do rio;
de pescoço encurvado,
de pouso eterno,
a garça,
sobre a galha seca do
paud'arc,
teus olhos entre abertos,
as abelhas,
os pernilongos,
e outras
mil asas
agitas,
como o tremer d'água ondulante
até o fim da praia de lama...

Da tua íris repleta,
-os deslizes,
os ensaios,
dos primeiros raios,
no colorir
estético
das virações!...

Ouvem-se cânticos,
d'outros pássaros,
do bulício que verga as harmonias,
às faces vivas,
às máscaras mortas!
Imagem sombria,
levezas d'alma de penas,
e por pena
vive
os gestos do gênio;
se não,
a idêntica monotonia,
teu hábito singular;
se não,
o cisma acalento,
os arroubos panorâmicos,
paraíso
sem riso 
sem cor
sem mágoa!...

Qual alvura
padece mais,
ao látego do paud'arc?...


Pombal, 20 de janeiro de 2009.




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