sábado, 8 de janeiro de 2011

O mar...
Oh pálida engrenagem deserta!
Sem vistas, nem horizontes;
Têm de fibras, - as fontes,
De ondas, - os rumores que desperta.

Dilui-se, o incenso descomunal,
Ó plagas vibrantes, de mutiladas
Formas, auréolas desbotadas:
- Conchas, pérolas e arsenal!...

As marés descansam as areias,
Os navios, de esmeraldas suspensas,
Abordam as milhas extensas;
- Bóiem os sonhos, afundem as serias!

Derramem-se a cinza destemperada,
Do azul, - essências oceânicas,
O instinto âmago das orgânicas,
- Estética de uma nau abandonada!

Pousa mórbida, a neblina escassa,
Filtro, destes vãos abastados,
Ventos, destes nortes desamparados,
- As vossas orlas vêm e passam

E sempre nas valas consumadas,
Soam as velas, destoem-se os portos!
A aurora acampa os mortos,
O mar, - tuas dores proclamadas!

Pombal, 21 de setembro de 2009.

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