segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Horas absurdas

As horas escorrem perdidas,
N’esta noite esvaída de panteras!
Tento encontrar-me, quem me deras,
Qual fonte ater-me, as mãos rendidas?

Posta esta negridão arrogante,
Velo tua luz, cor de treva e prata,
Nos meus anos, vos vem e traga,
Eu trago e morro, fatal amante!...

Estéril arte, da estimada sorte,
Quando sopra teu gesto divino,
O inocente corpo, de águia menino,
Atravanca teu peito, - a morte!...

Não basta do cálice, a ceia
Que a vida inteira sonhava,
Aos trilhões, a estrela desejava
E a ti, queria a mesma sereia.

As horas varrem as folhas pedidas,
Por entre o templo de quimeras,
Busco uma alma, e bem quiseras,
Em mim, eternamente, enternecidas!...

14 de agosto de 2009.

Nenhum comentário:

Postar um comentário