Ópera a boca da noite
A tarde morria na figueira,
O prado murmurava os verdores,
Os raios, desfalecendo a lareira,
Varriam dos campos, as flores...
Era o fluir do marchar nubente
às vésperas do porvir e do cosmo noturno;
Ó mutirões, constelação da enchente,
Ó vagas do mormaço soturno!...
Havia cânticos e fadigas a ninar;
Ervas, da essência opalina;
Ó lótus da fonte de minar,
Os frêmitos ares, da luz alabastrina!
Á águia, no trono irrequieta,
Suplica do infinito, a tormenta;
- Ó tristes, perdura a mudez discreta,
Vais atentamente, a proa macilenta!...
Rompe-se a aurora, às calhas da noite;
Dilata-se o algoz, a ermidade,
Perfura grilos, o despejo açoite;
Soluçam muros de eterna piedade!...
Ó obreiros da aurora vencida!
Implorai-vos ao sono dos astros;
Rendei-vos diante a fúria adormecida
Que das cinzas, coroaste os mastros.
Mudou-se o drama, apartou-se a ira.
Dorme o universo, na relva derradeira;
Descansam séculos de vidas... delira
a lua branca, em meio passageira.
Pomba, 02 de julho de 2010.
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