sábado, 8 de janeiro de 2011

Os outros eus
                  
Vi diante o chão, a palha móvel,
correr a rua avulsa, as casas do destino.
Vi, por entre a trave da mão,
as nuvens desmascararem
as portas e a liberdade dos verbos.

Corri os olhos fora do tempo,
Fluiu-me um verde enxuto,
numa cama de agave destilada;
A orla, porém, mesclava a noite.
Teu cismar-, o corpo envolto a candeia acesa,
Chovia migalhas de luzes refratadas.
E eram sombras de arte,
as bordas de tuas capas.
E o teu consolo,
os astros e a inquietude!...

Oh fotografias antigas!
Impiedosos sonhos de minha ausente infância!...
Por vezes, cometi rudemente,
Este silêncio a multidões fantasmas.
Veio-me esta febre natural do cosmo.
Confesso, esfriei-me na última partida.

Foi à última cúpula tão perfeita do meu ego triste.

Não possuo alma de lodo para os caminhos errantes,
Perante as ondas, é que me escorrem
as gotas deste eu fatigado pelas horas mal divididas...

01 de janeiro de 2011.

 


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