sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Soneto do amor profundo

Ferveu-se a ira, a desfalecida alma.
Esvai-se o pulso, o frágil drama,
Ungüento leito, sem cor e trama.
Nunca a dor vos deixa, ou se acalma.

Pétala edificada, rubra flor d’alva;
Essências que o amor proclama,
Encantos, trevas, horrores, o clama.
No amor há, o que a morte salva!

O amor é chama que se apaga na morte,
Ou é a morte em vida, adversamente.
Desde então, rompe-se por sorte;

Por nenhuma, o doma cautelosamente:
- Quem o sente, fere-se a golpe,
Estando ausente, sente-se eternamente!...

02 de agosto de 2009.

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