Há um hóspede no abismo
(a um gatinho perdido a beira do asfalto,
na noite de 27 de maio de 2011.)
Aos vagos delírios do asfalto,
um gato, vencido do furor da noite,
fingia-se a frieza dum salto,
a luz agita dos faróis, e o açoite
engano e o pavor da solidão,
fincaram-no ao luto em meio;
e aos berros do valente tufão,
pasmou-lhe o destino alheio!...
Quem o dera fosse acampado
e ao menos, conviesse o tempo!
Da alma do hóspede desgarrado,
desfilava sua ausência ao vento!
E foram multando os grilos, a lua,
a vigília da inocência fatigada;
a uns, destes a sentença dócil e nua,
a outros, o fel da instância abandonada!...
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